sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Evitando pleonasmos - mera apresentação

Indiossincrasias de mim, este poderia ser o pleonástico título de um livro de poemas com heterônomios criados por mim, mas não... Remete-se a este Blog unicamente. O plural não se faz majestático, mas em sua singularidade particular quer significar o ser plural que sou, ou de fato não sou? Os malefícios da particularização são evidentes, ainda que os positivistas racionalistas, ou ainda os racionalistas positivistas, reivindiquem o progresso como meta e finalidade única do saber, da sociedade e do homem de uma forma geral. Não sou metade de mim, não me identifico com minhas partes, mas somando parcelas identifico o ser necessário e contingente que sou, reconheço-me nem tão mal, tão pouco bom, sou completo remendo de singularidades que não se universalizam por si, mas harmonizam-se em mim. Muitos procuram determinar os limites da atividade científica, com não poderia ser diferente, epistemologicamente também o faço. Contudo, o que percebo freqüentemente é a crítica converter-se em abominação pura e simples à rigidez e aridez científica. Assim como eu, o vivenciar da sabedoria não pode ser em partes, mas visto em sua totalidade, inclusive diante do mistério, do infinito, do sagrado, daquilo que se deve calar.
O primeiro Wittgenstein, o qual curiosamente é o mesmo que o segundo Wittgenstein, afirma categoricamente em seu último aforisma do Tractatus logico-philosophicus: “Sobre aquilo que não se pode falar, deve-se calar”. Tenho a ligeira impressão de que justamente aquilo que consideramos inenarrável ou indizível possibilita aquilo que pode ser dito enunciável. Em outras palavras, justamente aquilo que não pode ser dito passa a ser pronunciado constantemente em nossos discursos. Nisto encontramos o desejo da vida, pois, se nosso discurso tangenciar somente aquilo que é passível de ser dito, melhor seria silenciarmos e deixar a razão nos conduzir em sua autonomia heteronômica própria. Assim como Aristóteles constatou, afirmo: o historiador fala aquilo que aconteceu, o poeta sobre aquilo que poderia ter sido. Resta-nos saber até que ponto poderá se diferenciar este daquele, não em suas atividades particulares, mas em suas linguagens e em seus objetivos próprios. A poesia é o fundamento da linguagem para Heidegger – o mito transcende ao mesmo tempo em que funda a realidade. O ser transcende a si mesmo enquanto ser. Reconhece-se, projeta-se no mundo e retorna a si. Do mesmo modo a poesia e o mito, não podendo estar contidos no poeta entusiasmado, transbordam em existência no mundo e depois retornam ao homem re-criando e re-inventando o cosmo. Por isso, poetizo, antecipando o meu primeiro verso, do indefinido futuro de meu primeiro livro de poemas:
Poesia
Tudo é poesia
A conversa é poesia,
As ondas são poesia,
O amor é o poeta

Se tudo cai na inexorável mágica de ser poesia,
Ela é ilimitada.
O poeta limitado ao tempo e ao espaço,
Passa ao papel o que vê,
E o que ele vê é poesia.
A poesia transcende ao poema.
Ela é melhor do que o poeta.
A vida, uma das inspirações da poesia,
Muitas vezes não é real,
O que leva a poesia a também ser metafísica,
E o que é real?
Do que é feita a nossa realidade?
De mentiras, ilusões e concursos de TV,
Sonhos, ideologias e vazio.

O silêncio é poesia.
O vazio é poesia.
Não ter poesia é poesia.
Tudo é poesia.

O autor (eu mesmo, por isso posso afirmar com certa propriedade, ainda que tenha plena consciência de que não me conheço, sou apenas conhecido) procura fundar de maneira quiástica a centralidade da poesia na criação da vida. Perpassa discussões ontológicas, ironiza a contemporaneidade e por fim admite, não por opção pessoal, mas por transcendência a centralidade da poesia. Esta se torna tangível, não nos versos que vão ao papel, mas como o pensamento de Platão no Fédon, na poesia escrita na alma. Impressa em nós, pragmaticamente se faz perceptível e inspira novos versos.
Este espaço foi criado para extravasar todas estas indiossincrasias particulares... Pensamentos livres, trabalhos acadêmicos, discussões simplórias, opiniões refletidas, todas estas esferas não somente podem como se farão presentes. Minha afeição por filosofia indicaria prontamente a temática, mas facilmente poderá ser vistos apontamentos historiográficas, reflexões teológicas, discussões de psicanálise ou de analítica profunda, estudos sociológicos, abordagens matemáticas, sim... as múltiplas análises e algebrismos de nossa existência e situação paradoxal também aqui estarão. Trata-se de indiossincrasias pessoais, com todo o pleonasmo que tal frase suscita. Desejo dividir estas com amigos, sejam bem-vindos.

Um comentário:

LU disse...

Que lindo!!!Amei voce e demais...Que Deus continue te iluminando e abencoando sempre...Eu te amo tanto!!!bjus